Design de Logo vs. Branding: Qual é a Diferença?
Logo Design vs Branding qual é a diferença?
 

Olá, meu nome é Carlos William Hara, mas pode me chamar de Will. Sou formado em Arquitetura e Urbanismo, e pós-graduado especialista em Branding - Gestão de Marcas e cursando Especialização em Inovação e Gestão do Futuro.

Trabalho com criação de marcas há 9 anos, e há algum tempo percebi a necessidade que as pessoas enxergam de ter, com urgência, o seu próprio logo (um símbolo). Mas elas ainda não perceberem a real necessidade que está por trás de ter esse símbolo: elas precisam de branding: uma gestão estratégica de inovação da marca.

Tendo já explicado essa necessidade para vários clientes e prospects repetidas vezes, fui em busca de algum texto na internet que explicasse de forma ilustrada essa diferença, e encontrei este artigo em inglês, da Cleveland's Best Design Firm Go Media. Em contato com o Autor, William Beachy, solicitei sua autorização para traduzir e adaptar o texto para o português:

 

Por que eu detesto o meu novo logo?

Não se preocupe, estamos aqui para explicar pra você!

Todo mundo sabe o que é um logo. Trata-se daquela forma, desenho, que as empresas usam para representar a própria empresa, como o swoosh ✔️da Nike, os Arcos Dourados do McDonald`s (M), ou a sereia verde da Starbucks. Mas o que é branding exatamente? Branding é uma perspectiva mais holística de como os clientes experienciam a sua empresa. Enquanto um Logo é apenas uma simples e pequena marca gráfica, uma Marca (Brand) inclui cada ponto de contato que os seus clientes têm com a sua empresa.

Vamos usar a Nike como um exemplo e considerar as diferenças entre um logo e uma marca (Brand).

Logo original da Nike chamado Swoosh.jpg

O Logo da Nike é chamado swoosh. É uma forma bela e simples que representa movimento e velocidade. O nome Nike é derivado da Deusa grega Alada da Vitória. É muito bom, mas é apenas uma marca gráfica - uma simples forma.

Branding da Nike

O Branding da Nike inclui os seus comerciais, endossos de celebridades esportivas, as embalagens de seus produtos, o design das lojas, a colocação de produtos na TV e em filmes, os patrocínios, as imagens nas lojas, as tags etiquetas, a música em seus vídeos, o design de seu site, a fotografia dos produtos, a tecnologia, e assim por diante. É cada ponto de contato que você tem com a Nike.
 
Então, por que isso importa? Por que eu deveria me importar se eles fazem branding e não apenas design de logo? Aqui está o porquê: os seus clientes não vivem a experiência da sua empresa na forma de um logo flutuando diante deles em um vácuo branco. Eles experimentam a sua marca através do seu site, ou do cardápio, ou da embalagem do seu produto, ou dos seus comerciais. É importante que o escritório de design que esteja trabalhando no teu logo entenda que o logo em si é apenas uma pequena parte de uma grande coleção de outros tantos projetos gráficos que também representam a marca. 
 
Infelizmente esta é a forma como muitos empreendedores pensam que um bom design de logo vai funcionar:

Percepção equivocada do Logo de uma Marca

Passo 1 - Um cliente potencial vê um logotipo
 
Passo 2 - Se o logo for “bom”, eles vão ter uma reação emocional e intelectual. Eles vão instantaneamente saber o que a empresa vende, e eles saberão que é excelente!
 
Passo 3 - Eles vão decidir comprar o teu produto ou serviço.
 
Naturalmente, se esta é a forma como empreendedores pensam que o Branding funciona, então eles vão esperar uma forte reação emocional quando virem o novo conceito do logo para suas empresas. Mas isso não acontece. Quase todos os empreendedores quando vêem o seu novo logo NÃO se conectam emocionalmente. E como não se conectam emocionalmente, eles assumem que o design do logo não é bom. Afinal de contas, todos eles sentem uma forte conexão emocional com o logo da Nike. E é isso o que faz dele um bom logo, certo?
 
Errado.
 
Então, se o logotipo em si não engatilha uma reação emocional positiva, por que eu fico tão empolgado quando vejo o logo da Nike? Aqui está como isso realmente funciona:

Percepção real da Marca

Passo 1 - Um cliente em potencial vê o logotipo.
 
Passo 2 - Se o logo for familiar para eles (como o swoosh da Nike ✔️), eles vão instantaneamente relembrar de todas as experiências que tiveram com a marca - os comerciais, sua experiência adquirindo os produtos, ver aquele(a) vizinho(a) usando as roupas da Nike, a embalagem, a forma como seus amigos falam sobre a marca, o endosso de celebridades que a vestem, etc. 
 
Passo 3 - Essas memórias todas engatilham uma resposta emocional e intelectual: “Sim! Eu conheço essa empresa! Conheço seus produtos e sei que eles são INCRÍVEIS!”
 
Passo 4 - O cliente potencial decide comprar o par de tênis mais recente da Nike.
 
Como você pode ver, o logotipo é apenas uma linha visual para o cérebro lembrar suas experiências interagindo com a empresa (também conhecida como a "marca"!). A memória da experiência da marca é o que desencadeia a reação emocional!

 Então, de volta para o empreendedor e o novo logo. É assim que a sua experiência ao olhar seu novo logotipo vai parecer:

Percepção Confusa de uma Marca Não Familiar

Passo 1 - Um cliente potencial vê o novo design do logotipo daquela empresa.
 
Passo 2 - Ele NÃO possui nenhuma lembrança ligada a essa nova marca.
 
Passo 3 - Por não ter nenhuma lembrança da marca, ele não se sente empolgado nem inspirado de forma alguma.
 
Passo 4 - Demitem/culpam o designer.
 
Agora, vamos esclarecer um ponto. Não estamos sugerindo que todos os donos de empresas instantaneamente odeiem seus novos logotipos ou demitam seus designers. Mas este certamente é um desafio enfrentado por muitos designers quando trabalham com empreendedores - particularmente aqueles que já possuem marcas bem estabelecidas. Essas empresas com marcas bem estabelecidas possuem muitos anos de experiência com seu logo antigo - o que cria fortes vínculos emocionais. Esperamos que este conhecimento ajude você a entender porque ainda está apegado ao seu antigo logotipo e não atualizou para um logo novo e melhor.
 
“Bom, está tudo indo às mil maravilhas, Will, mas por que você está dizendo tudo isso?” Imagino que seja esse o seu pensamento agora. Vamos apenas fazer uma clara distinção entre design de logotipo e branding. O que nós fazemos por nossos clientes é branding. Consideramos todos os aspectos sobre o que realmente compõe uma marca, e integramos isso ao nosso processo de design. Então, sim, ao final do projeto, você TERÁ:
 

  1. Logotipo
  2. Fontes (Tipografias)
  3. Esquemas de Cores
  4. Brandbook - Guia de Posicionamento Estratégico (ou “Jeito de Ser) da Marca”

 
    Esses são todos os elementos fundamentais que você precisa para a sua marca. Mas durante o processo, você vai descobrir que nosso time também considera outros aspectos da sua marca. E isso é específico para cada projeto, mas pode incluir itens como: etiquetas tags e papelarias de escritório, projeto de sinalização e comunicação de fachada, website, estilos de imagens, tipos de papéis e acabamentos, uniformes, outdoors, embalagens, envelopagem da frota de carros, etc.

Branding Aproach

A nossa abordagem ao processo de design é  bem diferente do que a maioria ainda possui (sejam agências de publicidade, marketing, ou escritórios de design), e pode até parecer mais confusa à primeira vista, inclusive aos nossos próprios clientes. Nas duas primeiras rodadas do processo eles podem até perguntar: “Hey! Então, cadê o meu logotipo?”. Invariavelmente eles passam a entender o que realmente estamos fazendo, e ao final, eles possuem em suas mãos uma solução muito melhor pensada para sua empresa. Eles possuem mais do que um logotipo, eles possuem uma marca! (...)
 

MORE THAN A LOGO.
A BRAND!

Sou Futurista, e acredito no poder da transformação pelo design, por isso ajudo as pessoas a se empoderarem de seu lado criativo e inovador, através de processos participativos, criando Marcas com Propósito.

No próximo artigo vou detalhar um exemplo passo a passo do nosso Processo de Inovação em Branding.

Se interessou? Pronto para criar sua Marca com Propósito? Entre em contato, ou solicite um orçamento para seu próximo projeto!

 

hello@cwhara.com
Nex Coworking - Rua Francisco Rocha, 198. Curitba - PR.
 
(Traduzido e Adaptado por William Hara, de: “Logo Design vs. Branding – what’s the difference?”, de 26 de Maio de 2015 – com autorização do autor: William Beachy)

 
O que aprendi na Finlândia sobre Inovação, Design e Ensino #1 Service Design Workshop

Olá, eu me chamo William Hara e hoje vou contar um pouquinho do que aprendi sobre inovação numa viagem que fiz à Finlândia, em outubro. Mas antes, vou fazer um resumo de como eu fui parar lá na Terra do Papai Noel.

 
 
Helsinki, Out 2016

Helsinki, Out 2016

 
 

O Branding foi o grande responsável por esta jornada. Desde o primeiro ano na universidade, eu sempre tive muito interesse por Design Gráfico, ainda que o meu curso fosse Arquitetura e Urbanismo. Comecei a desenhar marcas e identidades visuais no 2º ano da faculdade, e dali em diante não parei mais. 

Depois de formado, trabalhei como arquiteto mas continuei criando marcas em paralelo, e o fascínio por design só crescia. Em 2015 um grande amigo me falou sobre uma (apaixonante) pós-graduação em Branding - Gestão de Marcas, e foi neste ano que comecei o curso em Curitiba-PR e pude conhecer alguns grandes nomes da área, como os próprios professores.

Um professor em particular tinha verdadeira paixão e empolgação sobre o tema Branding, principalmente Brand Experience (Experiência das Marcas), a disciplina que ele ministrou. Suas aulas eram enérgicas e contagiantes, e todo ano ele organizava uma viagem acadêmica  para conhecer grandes marcas globais.

Em 2015 o destino era Londres - meu fascínio - mas acabei não conseguindo ir naquele ano, por isso tive que adiar. Então, em outubro de 2016, a jornada de inovação foi para a Finlândia, e dessa vez eu pude me juntar ao grupo de viajantes "branders".

Sao Paulo Helsinki Tallin Tampere St Petesburg

Nosso primeiro destino foi a capital da Finlândia, Helsinki, onde passamos 4 dias. Dali, fomos para Tallin, capital da Estônia. Depois retornamos à Finlândia, e fomos para Tampere, a segunda maior cidade do país em população e economia, onde passamos mais 4 dias. Nossa última parada foi São Petesburgo, na Rússia, também 4 dias.

Números:

No total, fomos em 7 brasileiros,
conhecemos 6 universidades,
visitamos 6 companhias
(incluindo a Rovio, criadora da Angry Birds!),
tivemos 7 palestras,
e participamos de 2 workshops de design de experiência do usuário.

 

Entre os temas das palestras e visitas que participamos, os mais marcantes foram:

  • Inovação em Sistemas de Ensino nas universidades finlandesas de ciências aplicadas, valorizando o protagonismo e talento de cada aluno, e substituindo os 'cargos' de professores por mentores / coaches;
     
  • Incentivo ao Empreendedorismo desde o 'ensino médio' no país (os adolescentes podem escolher diferentes temas de 'ensino técnico'), passando então pelas universidades, que 'incubam' as startups e projetos dos alunos, mentoram todo o processo e colocam as ideias na prática, sem ter nenhuma participação nos lucros nem nos registros legais de marcas, patentes e demais propriedades intelectuais desenvolvidas pelos estudantes.
 

Neste post irei compartilhar o que vi e aprendi no primeiro workshop que participei, na Laurea University, em Leppävaara, sobre Design de Serviços com IoT (internet das coisas):

  • IoT Service Kit: apresentação de uma ferramenta prática de co-criação, disponível para download, que simula um jogo de tabuleiro, com cards, cenários, e peças (impressas 3D, também disponíveis para baixar);
     
  • os vários usos que esta ferramenta oferece na co-criação de serviços com experiências memoráveis, seja para marcas, empresas que lidam com público online e offline, até serviços públicos; 
     
  • os insights e propostas que surgiram neste workshop, tanto do nosso grupo, quanto dos demais participantes (acadêmicos finlandeses e vários intercambistas).
Laurea University - Leppävaara, Finland
 

Service Design:

O que é Design de Serviços: resumidamente, trata-se de pensar e projetar toda a Experiência do Usuário ao interagir com determinado serviço. Segundo a Wikipedia:

Design de Serviços é a atividade de planejar e organizar pessoas, infraestrutura, comunicação e componentes materiais de um serviço de forma a melhorar sua qualidade e a interação entre a empresa provedora do serviço e os consumidores. 1

O Design de Serviços trabalha com áreas multidisciplinares, como gestão, arquitetura, psicologia, marketing, engenharia e etnografia. 2
O pensamento segue alguns princípios, e deve ser:

  • 'Centrado no Usuário', assim os serviços e experiências são compreendidas pelos olhos do cliente (User-Centered);
  • Co-criativo, ou seja, garantir que as ideias, insights e soluções sejam colaborativas, envolvendo não apenas o cliente, mas todos os papéis atuantes no processo (stakeholders); 
  • Sequencial, visualizando as ações relacionadas aos serviços;
  • Evidente, criando soluções tangíveis; 
  • Holístico, para que todo o ecossistema do serviço seja considerado. 3

Durante o workshop, vimos esta Pirâmide que classifica os tipos de envolvimento do usuário com a experiência:

User Experience - Funcional Confiável Útil Conveniente Prazeroso e Significante

Da base para o topo da Pirâmide, o envolvimento passa de Funcional para Confiável, depois Útil, Conveniente, até chegar a Prazeroso (Memorável), e finalmente Significante. É esta a principal função do design de serviços: criar uma experiência memorável para o usuário, alcançando os atributos de prazeroso ou significante.

A linha que divide a Pirâmide ao meio representa o "abismo" que a maioria das empresas precisam atravessar se quiserem atuar no mercado daqui pra frente: a dificuldade de sair do lado dos serviços convenientes e passar para o lado de serviços memoráveis, prazerosos e agradáveis.

 

IoT: Internet of Things (internet das coisas):

Numa breve definição, a internet das coisas é a comunicação máquina a máquina (M2M) via internet, que permite o compartilhamento de dados e informações entre diferentes objetos para concluir determinadas tarefas. Essa comunicação é baseada em sensores e dispositivos conectados a um sistema de computação. Segundo a Wikipedia:

A Internet das Coisas (IoT) é uma revolução tecnológica a fim de conectar dispositivos eletrônicos utilizados no dia-a-dia (como aparelhos eletrodomésticos, eletroportáteis, máquinas industriais, meios de transporte, etc) à Internet, cujo desenvolvimento depende da inovação técnica dinâmica em campos tão importantes como os sensores wireless, a inteligência artificial e a nanotecnologia. 4

As aplicações da Internet das Coisas se dão em diversos setores da economia, para otimizar atividades e facilitar a vida do homem desde usos em Casas e Apartamentos (automação, eficiência energética, segurança, gestão de espaços), Agronegócios, Automotivo, Logística, até cidades inteiras, as Smart Cities! 5
A Internet das Coisas é 1 dos 3 principais pilares do futuro da inovação tecnológica rumo à Singulardade (ao lado do Blockchain, e da Inteligência Artificial). 6

 

Agora conheça o Kit IoT Service Design - criado, desenvolvido e compartilhado por Futurice:

A Futurice – cujo propósito é "criar serviços digitais para as pessoas amarem" – é o nome da empresa finlandesa que organizou e aplicou este primeiro workshop do qual participamos (no próximo post vou contar sobre a visita que fizemos à sede da Futurice em Helsinki). A empresa trabalha com projetos de inovação, e desenvolveu uma interessante ferramenta que utiliza em alguns de seus workshops: o IoT Service Kit. 7 8

Esse kit de criação de serviços ligados à internet das coisas é composto por:

  • 5 Diagramas, ou Cenários para inovação: praças públicas, prédios/casas inteligentes, bairros, escritórios/salões de conferência, lojas/supermercados;
  • 44 Mini Cards: usuário, sensores, interações, APIs abertos da cidade, serviços;
  • 5 Cards explicativos com perguntas para facilitar a co-criação;
  • 11 Peças para impressão 3D: usuários, meios de locomoção, equipamentos, facilidades públicas.

Todo este kit é disponibilizado para baixar gratuitamente, no site da Futurice (links no final do post).
Confira a seguir as imagens do kit:

 

 

O Workshop:

Panorâmica Workshop IoT Service Design Futurice

O Tema do workshop foi Smart Cities (cidades inteligentes, conectadas à IoT).
Um serviço de IoT de sucesso e que gere inovação deve contemplar 3 áreas afins: Service Design, Business e Tecnologia.
O Service Design deve proporcionar uma ótima experiência do usuário, facilidade de uso e fluidez.
O Business deve focar no ecossistema, ser integrado a demais serviços e criar um negócio muito melhor que os demais convencionais (no qual todos ganhem: usuário, empresa e sociedade - win-win-win).
E a Tecnologia deve ser real, aberta a todos, e útil.

Assim, podemos enxergar a Cidade como um ecossistema aberto e na qual a Colaboração é essencial.

 

O Desafio:

  1. Escolher um Cenário
  2. Brainstorm
  3. Definir um Problema que mereça ser solucionado
  4. Criar a Solução
  5. Simular a Solução no Cenário
  6. Apresentar e compartilhar os Conceitos

O tempo para cumprir o desafio foi limitado a 50 minutos de exercício, e outros 30 minutos para apresentação e feedback das propostas de cada grupo.

Resultados:

Como éramos um grupo de 7 brasileiros, incluindo nosso professor, definimos o Cenário como um Bairro na cidade de São Paulo.

Então o nosso Brainstorm se deu sobre o mercado brasileiro da construção civil, e como podemos inovar na co-criação dos espaços ainda a serem construídos. Concluímos que hoje nossas construtoras, empreiteiras, e escritórios de arquitetura e engenharia projetam e constroem prédios segundo suas próprias noções de mercado, para depois (tentar) atrair o público e vender unidades habitacionais.

O Problema que enxergamos em todo esse modo convencional de construir e vender é que o público mudou de perfil e de comportamento. O que vemos na maioria das propagandas são apartamentos luxuosos, para um público jovem, rico, bem sucedido. E irreal, né?!

A Solução que criamos partiu da premissa de que o jovem de hoje não busca necessariamente ser proprietário de um imóvel. A mentalidade de hoje não se baseia mais em consumo e propriedade dos bens, mas sim na experiência e no compartilhamento dos bens.

Assim, imaginamos um lote de quadra inteira, ainda vazio, porém cercado de serviços e comércio.
Então vieram os Insights que simulamos no Cenário 'Bairro', utilizando os Mini Cards, Peças e Post Its:

  • E SE... ao invés de a construtora/empreiteira fechar todo o terreno com tapumes e dar início às obras, o terreno ficasse ficasse aberto ao público e disponível para visitação, com quiosques/contêineres de atendimento...?
     
  • E SE... toda a arquitetura do edifício/condomínio fosse modular, seja por contêineres ou outras estruturas modulares, e que cada usuário ou futuro morador pudesse escolher exatamente a quantidade de área necessária para ele morar, e caso precisasse de mais espaço futuramente, apenas anexasse novos módulos à unidade habitacional? (Ao casar-se, ter filhos, etc.)
     
  • E SE... além da arquitetura modular, a própria configuração dos espaços também fosse pensada por potenciais moradores? Como num jogo virtual de LEGO, os usuários pudessem brincar e fossem propondo soluções para o projeto do prédio através de uma "gamificação"?
     
  • E SE... essa co-criação através da gamificação também fomentasse o comércio local do bairro, no entorno do terreno ainda vazio? E se os clientes desses estabelecimentos recebessem notificações geolocalizadas para participar do game de criação do empreendimento, em troca de descontos, dicas locais, acesso a conteúdos específicos, etc.?

Para simular todas estas possibilidades no Cenário, usamos os seguintes Mini Cards:

  • O Usuário deste comércio local, bares e restaurantes geralmente é um público conectado através de Smartphones, às vezes Wearables;
  • Os Sensores mais práticos e baratos seriam Rede Wi-Fi, Beacons e Smart-Beacons (Bluetooth);
  • As Interações se dariam por Displays Eletrônicos, Mobiliários Urbanos, Telas, e Dispositivos de Check-in;
  • As City Open APIs (os Dados Urbanos Públicos) necessários e também retro-alimentados por esse serviço seriam Informações Turísticas, Climáticas, de Tráfego, Vagas, e Mídias Sociais;
  • E por fim, os Serviços incorporados e também cooperados ao nosso, seriam Serviços de Terceiros, Gestão de Resíduos, de Energia Elétrica, de Uso das Águas, assim como Segurança Pública: Polícia, Bombeiros e Emergência. 

 

Ideias dos demais grupos:

Este workshop do qual participamos foi a continuação de um processo de criação do qual todos os outros acadêmicos e intercambistas já estavam envolvidos. Por isso, os Cenários que todos eles trabalharam eram no contexto da Finlândia:

Smart Buildings: Condomínios inteligentes, cujos apartamentos possuem sistemas de emergência acionados por voz, e se comunicam com o morador, acionando os demais vizinhos ou serviços de emergência para prestar socorro, com sensores de presença, calor, umidade, fumaça, sistemas de check-in, reconhecimento de voz e lockers eletrônicos para disponibilizar as chaves dos apartamentos a outros moradores em casos de emergência;

Experiência digital na visitação de Showrooms de apartamentos: ao invés de apresentar apartamentos decorados, o espaço é vazio, e interage digitalmente com os potenciais compradores mostrando a eles exatamente o tipo de mobiliário e decoração de acordo com seus perfis:
A interação se dá através de óculos de realidade aumentada (para os mais tecnológicos), ou simulações 3D de cada cômodo do showroom diretamente na tela do tablet.
E para os "mais convencionais", imaginaram um banco com sensor de peso que interage com o usuário sentado, projetando imagens em displays ao redor e também conversando com uma inteligência artificial que apresenta o serviço, tira dúvidas e simula diferentes contextos para o mesmo espaço;

Smart Neighborhoods: Bairros inteligentes que interajam com seus visitantes. Qualquer pessoa com bluetooth ativado no celular que chegue ao bairro recebe uma notificação (ou pode interagir com um display urbano digital) que pergunta a ele se precisa de ajuda ou de um guia para conhecer aquele novo lugar. Em caso positivo, o aplicativo colaborativo do bairro aciona os moradores que estão nas proximidades, perguntando se alguém se dispõe a apresentar a vizinhança a um potencial novo morador. Assim, ele pode saber quais escolas, parques, mercados e hospitais existem ali por perto, e fazer uma escolha mais assertiva se aquele é o bairro certo para ele e sua família morar. O bacana é que o serviço cria interações reais entre pessoas que se ajudam, fortalecendo o senso de coletividade.

Além disso, este mesmo bairro inteligente também facilita as atividades de comércio, serviços, tráfego e turismo. Através dos dados abertos de APIs, a tecnologia de todo o sistema gera fluidez para a cidade, os cidadãos conseguem tomar decisões mais assertivas e poupar tempo e todo tipo de energia. Os dispositivos de Interação conectados vão de Mobiliários e Displays Urbanos, Alto-Falantes, Câmeras, Luzes até Drones, e os Sensores incluem principalmente os Beacons e Smart Beacons, assim como a rede Wi-fi.

 

Concluindo

Este primeiro workshop aconteceu já no nosso primeiro dia de viagem, e serviu para abrir nossas mentes a um vasto campo de possibilidades na criação coletiva de serviços, espaços e cidades. Além disso, essa primeira experiência fortaleceu ainda mais o meu interesse por Inovação, a minha paixão por Design, e o meu papel enquanto Arquiteto Urbanista neste novo cenário das Cidades Inteligentes. 9

Este ano foi apresentado o segundo Ranking das 50 Cidades mais Inovadoras do Brasil, pela Urban Systems, e temos estas pontuações (Junho 2016): 10

  • 1º São Paulo (SP) 6,401
  • 2º Rio de Janeiro (RJ) 6,218
  • 3º Florianópolis (SC) 5,135
  • 4º Porto Alegre (RS) 4,754
  • 5º Brasília (DF) 4,682
  • 6º Campinas (SP) 4,659
  • 7º Belo Horizonte (MG) 4,612
  • 8º Curitiba (PR) 4,293
  • 19º Maringá (PR) 3,374
     
A lista foi elaborada a partir da análise de 662 municípios brasileiros através de 12 indicadores, que compreendem: mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo, economia, governança e inovação.

Pensar Futuro é Pensar Design. E o que me anima ainda em relação às Cidades Inteligentes é que elas não estão distantes como poderíamos pensar. As Smart Cities não são exclusividade dos países da Europa e América do Norte. O Brasil já está na metade do caminho do desenvolvimento de cidades inovadoras e conectadas, e todos nós fazemos parte desse processo – conscientes ou não, atuantes ou relutantes, protagonistas ou expectadores. 

Meu propósito é fomentar esses temas, compartilhar das experiências e aprendizados, e colaborar na construção de futuros possíveis e desejáveis.

 

Agradecimentos:

A você, leitor, muito obrigado pela atenção! Dúvidas ou ideias é só postar aqui nos comentários! Se você acha que o tema pode interessar a algum amigo, marque o nome dele nos comentários do post também, vamos construir futuros melhores!

Agradecimento especial às facilitadoras deste workshop, Jane Vita e Maria Lumiaho, e aos parceiros de viagem, Prof. Antonio Roberto De Oliveira, Aline Narimatsu, Felipe Gustav, Sheila Gonçalves, Marcos Moisés e Fábio Guimarães.

Forte abraço,
Will Hara.

 

Links e Referências: 

  1. https://en.wikipedia.org/wiki/Service_design - Wikipedia: Service Design
  2. https://brasil.uxdesign.cc/o-que-%C3%A9-service-design-70543ff20e19#.ifkphie9g - UX Design Brasil: O que é Service Design? 
  3. https://www.youtube.com/watch?v=JywQiJO4TRo - Youtube: This is Service Design Thinking - Book Trailer
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet_das_coisas - Wikipedia: Internet das Coisas
  5. http://news.sap.com/brazil/2016/05/12/o-que-e-iot-a-internet-das-coisas/ - News Sap: O que é IoT – a Internet das Coisas?
  6. http://pt.slideshare.net/dinisguarda/the-next-tsunami-ai-blockchain-iot-and-our-swarm-evolutionary-singularity - Slideshare: The Next Tsunami AI Blockchain IOT and Our Swarm Evolutionary Singularity
  7. http://iotservicekit.com/ - IoT Service Kit: The Internet has changed, so have our ways of work
  8. http://pt.slideshare.net/ricfer69/the-city-as-an-open-ecosystem - Slideshare: The city as an open ecosystem
  9. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_inteligente - Wikipedia: Cidade Inteligente
  10. http://www.archdaily.com.br/br/790314/ranking-das-50-cidades-mais-inovadoras-do-brasil-segundo-a-urban-systems - Arch Daily: Ranking das 50 cidades mais inovadoras do Brasil, segundo a Urban Systems